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Imagem meramente ilustrativa da moeda oficial do Limbo. Esqueci de contar pra vocês que desenho pra caralho. |
Recuso-me a pensar em juízo final
em que a nossa análise seja feita que nem um contador faz nosso imposto de
renda. “Você xingou o motorista de ônibus no da 23 de janeiro de 1997, às
14:32. Ele não tinha culpa de trabalhar num sistema que exigia que ele lotasse
tanto o ônibus. Você deve mais 10 limbos.”. Nisso, por cada ato julgado falho
seu iria ser convertido na moeda do apocalipse, limbo ou L$, e iria trabalhar
pra Limbo Corporation ™, até pagar seu débito e poder “descansar em paz”. Seja
lá o que isso signifique.
Terrível.
Atos capitalistamente cobrados e negociados. E eu tenho certeza que, se a moda
pega, logo vamos cobrar limbinhos dos outros pelas mágoas causadas. Tem quem
diga que tudo tem seu preço, não é? Talvez o limbo nem seja a moeda oficial. Por
aqui a gente se entende com real, dólar, peso, ou seja, qual for a relativa
moeda de sua dor.
Isso já
acontece, claro. Algumas igrejas já converteram o L$ em dinheiro terráqueo e
alguns bastante maleáveis já estão pagando suas casas em seja lá onde eles
acham que vão depois de morrer. Já o sistema jurídico virou babá e contadora de
problemas emocionais. Alguns casos a gente releva, mas há uma hora que nós
vamos ter que nos perguntar: tudo é mesurável? Existe unidade de medida para
sentimentos?
Lógico
que não! Não venha com suas exatas, que eu sou de humanas! NÓS somos de
humanas. O mundo em que se calcula o subjetivo e intrínseco só pode ser um
pesadelo. E é nele que nós estamos vivendo.
Desde
que descobri que eu teria que ABNTzar minhas falas e referenciar o que me
ensinaram, eu tenho uma grande mágoa da academia. Vou cobrar 1000 limbos deles?
Não. Pelo menos eu aprendi que o mundo subjetivamente científico (?) não é pra
mim. E mesmo assim, eu ia cobrar de quem? De professores e professoras? De
professores e professoras deles? Da universidade? De quem fundamentou essa
forma de ensino e pesquisa ridícula?
E de
quem vou cobrar minha dor e minhas lágrimas? De quem tanto tenta absorver minha
confusão, acaba se intoxicando também? De quem me intoxicou? Dos primeiros
chefes do patriarcado? Dos cabeças que estabeleceram os fundamentos do
capitalismo? Dos grandes mestres da comunicação que ensinaram que com ela se
prepara o povo pro abate? De Deus? Do meu vizinho? De mim mesma?
Todos
nós temos culpa de tudo. E não há quem bote preço nela. Caros ou não, todos
temos débitos profundos que não são monetizáveis. Não há algoritmo que meça
aquilo que só o amor e a quebra de paradigmas podem resolver.