sábado, 22 de maio de 2010

Ana: Falida e Opaca

Ana, tu te lembras?

Um dia, quanto tu querias fazer de teus olhos centro do universo e construir ao redor deles uma imensidão de cores e sentimento, te disseram que era tolice querer brilhar. Fizeram-te opaca quando tu emanavas luz e calor, podendo iluminar até os mais distantes.

Tu perdeste cor, Ana.

O vento, viajante e sombrio, levou com ele o pulsar de tua voz e o som de teu abraço. Agora tu, como qualquer outro objeto, precisas ser iluminada para que alguém veja que tu ainda existes. Aqueles que da escuridão vieram e escuros permaneceram fizeram de ti fonte de sorriso efêmero. Quando tremiam ao rir de ti, na verdade eram suas entranhas que estavam se retorcendo ao lembrar de suas próprias mazelas.

E tu pensavas que a errada era tu, Ana!

Deixaste o mundo te devorar para que tu virasses massa. E hoje tu vês que todos desejam ser foco, e não parte. Fizeram de ti exatamente o que queriam: Tornaram-te transparente, Ana, para que não vissem que tu valias a pena. Tu nasceras luz, e eles não suportaram a ideia de não terem nascido do mesmo jeito.

E agora tu só querias iluminar um só ser.

Com que forças tu fará isso, Ana?



P.S.: O texto original não tinha esse final. Mas fazer o quê? O vento e nem a massa perdoam.

domingo, 14 de março de 2010

Ruminando...

- Por que eu atraso pras coisas realmente necessárias e chego cedo nas supérfluas?

- Por que agora eu tenho mania de colecionar fotos 3 X 4?

- Por que eu sinto nojo de pessoas que compram só por comprar, mesmo sabendo que aquilo pode estar suprindo alguma atenção que lhe falta?

- Por que muitos acham que eu faço muito e eu acho que faço tão pouco?

- Por que meu orgulho é tão grande que me deixar passar vergonha às vezes?

- Por que pra mim é tão difícil dizer que amo alguém?

- Por que eu me sinto triste quando menstruo, já que ali é metade de um possível ser humano, e dificilmente haverá um homem que se sente triste quando libera milhões de espermatozóides à toa?

- Por que eu fiquei calada por tanto tempo, quando minha palavra poderia ter mudado totalmente o rumo das coisas?

- Por que eu ainda me pergunto tolices?

- E por que eu não sei responder essas tolices?




Deus, me desculpe, mas estou tentando me entender primeiro pra depois te entender melhor. Sei que esse é o único meio de fazer isso, mas sua filha aqui é meio lenta. Com paciência, ainda vou te mostrar que sirvo pra alguma coisa. Continue assistindo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Algo perdido

Corpo, espelho de minha falha
Tentas arrastar minha alma à tua farsa
Mas antes que me leves para a mais destilada desgraça
Irei desatar-me de tuas correntes de avareza

Caio nas mais tolas armadilhas de carne
E mesmo que eu escape sagazmente
Tu usas outros prisioneiros para me julgar
Usufruis da minha própria lama para me afogar

Triste fase de vangloriada efemeridade
Tantos choram partindo
Tantos choram para não partir
E eu imploro por forças para merecer sair
Herculeamente não posso seguir
Antes que queira forçar uma errônea saída

Tortura nauseante é encarar-me entre as pratas
Deus, como pude ser capaz de tal selvageria?
Transformei razão em veneno
Em vez de coragem, usei de covardia
Para ofender, sem qualquer lampejo de lucidez
Quem tanto bem eu queria

Agora, seguindo em meu baile de doces máscaras
Espero perdão, mesmo que seja improvável
Não de quem perfurei a chaga já aberta
Que, aliás, já me perdoara... Minha doce criatura
Mas espero perdão de quem vê a própria chaga apodrecer e não faz nada
Rogo o perdão a mim mesma, mas me nego a me deixar ir
Prefiro ver a dor do que negligenciar minha culpa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vazio movimento

Empurrões e xingamentos. Cara feia e escoriações. Mau cheiro e muito bom cheiro. Ter que lidar com isso todo dia é, no mínimo, cansativo. Ser transportado de um lugar para outro com várias pessoas amontoadas que você geralmente não conhece é uma experiência que muita gente reza para não ter que passar. Motivo? Não são os empurrões e muito menos o mau cheiro.
Dentro de um lugar como esse é bom ter a cabeça cheia de idéias, pois sem elas você não se sentirá com a leve calma de não pensar em nada. Você se sentirá vazio. É como se fosse só mais um prego na caixa de um carpinteiro, que não fará diferença se cair por uma fresta. Às vezes é bom se sentir “coletivo”, mas quando se sabe que há uma função para você. Ali é torturante se olhar através do vidro, pois não verá só a si, mas vários rostos em conjunto, sem individualidade alguma.
A “dor” diminui quando se está em um transporte mais individual, podendo até ser divertido, sem perder a essência da coletividade sem objetivo. Torna-se até mais “doloroso” do que um que cabe várias pessoas quando há vários com poucas pessoas dentro. Há um sentimento de destruição (sim, sou meio “eco chata”) e de solidão tão grande que só uma paisagem natural e pacífica traria calma. O urbano não faz mais sentido. Aliás, nunca fez pra mim.
Ora, ora, quem sou eu para dizer que algo não faz sentido? Talvez faça, mas não sou ninguém para dizer algo assim. Sou viciada na matéria e na boa parte dos prazeres que ela proporciona, e não me orgulho disso. Odeio a idéia de ser apegada a algo tão efêmero. Queria ter a calma de quem acha que sua existência se resume a isso e que seu destino se resume a dois caminhos. Como não consigo ser assim, inquieto-me com esse tipo de situação e a com a indiferença ou até diversão das pessoas com esse tipo de coisa. Sou pedante? Acho que não chega a tanto.
Estou pedindo um teleporte? Só se eu não tivesse consciência de em que estágio o mundo está. Também não peço mais calma das pessoas, não quero nada artificial. Não peço nada, pois não tenho o dom de pedir. Só dou um conselho: tente não perceber o mundo a sua volta. Só lhe fará ver o quanto você poderia ser melhor e estar num lugar melhor. Por um período, viaje para um mundo onde a diferença realmente existe e não te faz pior ou melhor, enquanto te transportam para outro destino qualquer.

Obs: Se você pensa diferente, ótimo. Você está mais próximo da sanidade.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Contrariando o clássico

Camões que me perdoe, mas eu discordo
Esteja onde estiver, desconte sua raiva numa cadeira
Ou até mesmo numa barraca de feira
Posso estar sendo narcisista, o que é raro
Ou até duvidando da saúde do resto da humanidade
Mas uma coisa eu sei e vi de um jeito bem claro:
Amor é fogo que arde de um jeito bem visível
Posso vê-lo sair dos meus próprios poros
Querendo queimar aquele que duvida que eu o tenha
É autoflagelação, eu sei
Querer aquecer aquele que só me desdenha
Acabo queimando quem não quero
De uma forma que eu não espero
E deixando as cinzas sujarem meu rosto, revelando meu pecado

É ferida que dói, e como sinto!
É chaga purulenta sem remédio
Que mesmo com a figura amada estando próxima
Lateja a cada olhar que ela lança para o tédio
Apesar de, às vezes, não lhe pareça tão chato assim
O que faz com que minha ferida abra mais ainda
E meu sangue jorre, o que a alguns fascina
Está pintado mais um quadro de minha sina

Ora contente, ora descontente, sem muita mistura
Alterna-se com tanta rapidez que chega a confundir
Quando chega, a felicidade enfim ressurge
Quando ele se vai, tudo são treva e rotina

Amor que é amor quer mais que bem querer
Quer cuidar, mesmo que às vezes não possa
Solitário só se sente se não tiver um só ombro que o ampare
E só perde, mesmo que não se importe
Quem não sabe o verdadeiro conceito de ganhar

Nem sempre se que ficar preso
Aquele lhe puxa, como se fosse talvez uma roupa do armário
Inconscientemente eu vou e tento encantá-lo
Até que um dia eu saia de moda
E às vezes, por esse alguém não querer mais me usar
Caibo, mesmo morrendo, ainda que folgada ou apertada
Nos corpos de alguns recicladores

Contraditório o amor só é para quem só abriu suas janelas
Nem sempre causa amizade, motivo de muitas escoriações
Mas uma coisa é certa: Eu o vejo, sinto e vivo
E espero nunca se apaguem minhas chamas
Para que eu possa mostrar ao gelo que ainda respiro




Obs: É a primeira vez que eu posto uma poesia aqui. Espero que goste!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Até a vista

E eu o vi. Aquele homem que caminhava despreocupado, seguindo seu destino, nem imaginava que eu estava a observá-lo. Causou-me sentimentos diversos no passado: Segurança, confiança, adoração, ganância, nojo, ódio e, até pouco tempo, indiferença. Hoje, sua presença causou-me um sentimento inédito em relação a ele: Culpa.
Sempre me ensinaram que ele deveria zelar pela minha paz. Tolice. Duas pessoas, quando são colocadas no destino uma da outra, serão testadas. Esse teste irá acertar todas as dívidas que eles têm um com o outro. Adiar isso só provocará mais sofrimento.

Foi o que eu fiz.

Depois de ter resistido a todas as outras provas com pulso firme, simplesmente joguei as cartas pra cima e sai da mesa. Fui julgada por todos e, como sempre, vítima da hipocrisia de muitos. Foi um dos maiores erros que já cometi, mas sinto que não quero mais continuar errando. Tenho medo que tudo seja como antes e que só eu tenha visto meu erro, porém eu não posso me dar ao luxo de deixar isso para trás. Não prometo afeto, não prometo o amor que eu disse ter muitas vezes sem ter. Só o que prometo é tentar desenvolver um coleguismo, e talvez depois uma amizade. Só assim nossas funções poderão ser executadas e todo aquele veneno será dissipado.

E amanhã, se Deus quiser, não será o que os humanos julgam ser.


Obs: Escrito em 09/08/09

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Trust?

Fecho os olhos e tento digerir o que aconteceu. Não esperava ficar assim tão de repente. Já deveria ter me acostumado, pois sou quase bipolar. O que eu menos esperava é que, num dia que seria só de celebração eu teria que dormir com tantos conflitos vagando dentro de mim.
Olho pra lua, que me olha com ternura e compaixão, e pergunto: Por que tanta confiança destinada a mim? Logo eu, que sou tão insegura, fraca e, às vezes, sem escrúpulos? Será que eu mostrei ser o que não era? Por que se espelhar em algo tão torto? Por que ter em seus braços algo tão imundo, tão mesquinho? Por que dizer ser bom alguém que não é digno de tal adjetivo? Por que confiar em alguém que desconfia, que mente? Por que confiar em alguém que se fecha? Por que ver numa pessoa que desconfiou duramente de você uma mãe?
Olho para mim mesma e pergunto: E por que você faz perguntas que já sabe a resposta?
Aceite-as. Se não conseguir, ao menos tente. Só o tempo vai dizer se você realmente merece.

Obs: Desculpe não estar postanto muito. Ando meio sem tempo.